Como o Blink 182 mudou minha vida

Blink-182-I-Miss-YouEu tinha por volta dos meus 12/13 anos quando conheci a música “I miss you”, da banda Blink 182, durante um trabalho de escola que fazia na casa de um amigo. Estava naquela fase “rocker” que acontece na vida de grande parte dos adolescentes: tinha começado ainda criança, por influência de meu pai e das bandas que ele ouvia, e depois ganhando contornos mais próprios e característicos de uma mocinha da minha idade. Estava saindo da influência de Avril Lavigne, skatista descolada da qual eu copiava meus looks sempre, e entrando numa parte mais dark, com Evanescence e Nightwish, e isso já se refletia nas roupas pretas que passei a usar diariamente nesta época.

E então apareceu este clipe. ❤

Para quem ainda não assistiu, “I miss you” combina em seu vídeoclipe um pegada bem sinistra, misteriosa, com elementos dark. Tem pântano, pegações que parecem proibidas, maquiagem forte, tudo escuro e repleto de névoa, aquelas roupas que remetem a séculos antigos, em tons nude e pastel, e uma música de letra forte e batida pesadinha para acompanhar. Em resumo: o cenário perfeito! Tanto que, até hoje, quando imagino um lugar onde eu queria morar, naquelas divagações, é sempre algum lugar que remeta à atmosfera do clipe ou às emoções que eu sentia ao assisti-lo. E que não eram poucas.

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Vejam as cores maravilhosas do clipe ❤ Imagem do We Heart It.

Que fique claro: não, eu não tinha nenhum relacionamento amoroso sinistro ou proibido nesta época, rs. Me considero uma pessoa muito “sinestésica”, e normalmente qualquer tipo de arte que reflita meus gostos consegue me conduzir a estas emoções. Não necessariamente é preciso, na verdade nunca é, um elemento para que tais sentimentos se desencadeiem, rs.

Quando falo de emoções, falo do tipo de dimensão paralela à qual eu me dirigia ouvindo. E sim, nessa dimensão era tudo bem estilo Tim Burton e eu era feliz, em tons de azul e preto, com muito rock, natureza e solidão. Sim, sou esquisita.

E não é que o tal Tim Burton aparece na música?

And we can live likeJack and Sally, if we want... #timburton <3
And we can live like Jack and Sally, if we want… #timburton ❤

Os personagens Jack e Sally, de “O estranho mundo de Jack” ( A Nightmare before Christmas, 1993), filme deste meu favorito diretor, são citados como referência de casal pelo narrador da música, que se dirige à sua amada. Jack é um habitante da Cidade do Halloween, que percebe a hora de mudar um pouco a festa que caracteriza sua terra. Vagueando, ele acidentalmente entra na Cidade do Natal  e fica impressionado, voltando para sua cidade e logo querendo fazer o mesmo. Mas como era de se esperar, não sai exatamente como o plano, já que os habitantes só conhecem sua realidade sinistra e aterradora e tentam fazer o tal Natal desse jeito (O QUE EU ACHO SUPERHIPERMEGALEGAL!). Nisso temos a Sally, uma boneca de trapos criada por um cientista maluco (a cara do Tim Burton isso, vide Edward Mãos de Tesoura), que se apaixona pelo Jack. E o resto é spoiler
Acredito que este ponto foi minha queda final pelo mundo sombrio e por esta música: sou apaixonada pelo Burton e tudo que faz referência a ele. Como ser indiferente?

Que isso? Que isso? LALALALALALALALAAAA....
Que isso? Que isso? LALALALALALALALAAAA….

Em suma, a letra da música retrata um narrador (que eu suponho ser masculino) sentindo falta de sua amada e procurando-a; provavelmente ocorreu um término por causa dele na relação e ele quer voltar, quer a pessoa de volta. A influência desta pessoa na vida do narrador é tão grande que este se refere a ela como “anjo do pesadelo”, “sombra na parede do necrotério”, “voz dentro de minha cabeça”. Sim, é funesto, é dark, e é isso que dá sentido à letra. Muitas vezes as pessoas pensam que alguém que curte um som mais pesado, ou uma estética mais fúnebre, é necessariamente um indivíduo que faz uso de substâncias ilícitas, depressivo, que odeia todo mundo e não tem sentimentos. Claro que isso existe, mas em qualquer lugar ou estilo, não apenas entre os ouvintes de rock.
Todos estamos cansados de saber que o amor nem sempre vem acompanhado de experiências boas e coloridas, com unicórnios e ursinhos carinhosos, e pode sim ser mais dor do que prazer, e é bem nesse sentido que muitas das músicas de rock seguem: sentimentos demais, porém numa estética não convencional para o padrão.

E quem é que se importa com padrões mesmo?

Blink-182_-_I_Miss_You_cover

E acreditem ou não, e estando eu certa ou não: o padrão Jack and Sally de vida ainda é importante para mim. Quando me imagino futuramente me imagino sozinha; mas quando paro para refletir e analisar a possibilidade de um marido, só consigo me imaginar encontrando alguém tão estranho quanto eu e para quem essa estranheza não importe. Acredito que seja o sonho de todo mundo, claro, mas geralmente as pessoas se consideram altamente perfeitas e sem problemas. Eu já vou pelo lado contrário: até gosto de ser esquisita. Casamento para mim seria bem isso: viveríamos como Jack e Sally, você sempre poderia me encontrar e teríamos Halloween no lugar do Natal. Não necessariamente. Mas vocês me entenderam.

Poderia divagar por horas em todas as simbologias e significados desta música, mas o texto já está demasiado longo, rs. Deixo aqui o link da música no YouTube, e quero saber de vocês qual música também marcou a sua vida.

E como sou esquisita, a tradução da letra que posto aqui vem antes da frase em inglês –‘

Link do clipe da música no YouTube

I miss you (Sinto sua falta)

Olá querida, o anjo dos meus pesadelos

Hello there, the angel from my nightmare

A sombra na parede do necrotério

The shadow in the background of the morgue

A insuspeita vítima da escuridão no vale

The unsuspecting victim of darkness in the valley

Nós podemos viver como Jack e Sally, se você quiser

We can live like Jack and Sally if we want

Onde você sempre poderá me encontrar

Where you can always find me

Nós teremos o Dia das Bruxas no Natal

We`ll have Halloween on Christmas

E à noite, nós desejaremos que isso nunca acabe

And in the night we`ll wish this never ends

Desejaremos que isso nunca acabe

We`ll wish this never ends

Eu sinto a sua falta, eu sinto a sua falta.

I miss you, I miss you

Onde você está? E eu sinto muito, 

Where are you? And I`m so sorry

Eu não consigo dormir, eu não consigo sonhar essa noite

I cannot sleep, I cannot dream tonight

Eu preciso de alguém e sempre

I need somebody and always

Essa doente e estranha escuridão

This sick strange darkness

Vem rastejando cada vez mais rápido

Comes creeping on so haunting every time

E enquanto eu encarava, eu contei

And as I stared, I counted

Teias de todas as aranhas

Webs from all the spiders

Pegando coisas e comendo suas entranhas

Catching things and eating their insides

Como a indecisão de ligar para você

Like indecision to call you

E ouvir sua voz de traição

And hear your voice of treason

Você vai voltar para casa e parar essa dor hoje à noite?

Will you come home and stop this pain tonight

Parar essa dor hoje à noite…

Stop this pain tonight

Não perca seu tempo comigo, você já é

Don`t waste your time on me you`re already

A voz dentro da minha cabeça (Eu sinto a sua falta, Eu sinto sua falta)

The voice inside my head ( I miss you, I miss you)

Não perca seu tempo comigo, você já fez é

Don`t waste your time on me you`re already

A voz dentro da minha cabeça (Eu sinto a sua falta, eu sinto sua falta)

The voice inside my head (I miss you, I miss you)

Beijos,

Jiullia

Recomeçar. Seria a melhor ideia?

recomecoDurante minha adolescência tive vários blogs (mentira, três só) nos quais eu começava, postava três dias seguidos, e sumia por dois anos. Flogão, Orkut, Twitter, todos com o mesmo destino. Daí fica a prerrogativa: eu deveria mesmo começar um novo blog, se nunca consigo ir pra frente com os que já tenho?

Bom, pergunta retórica e sem resposta por consequência, mas eu resolvi arriscar e começar sim um novo blog. Um novo lugar para compartilhar o que penso, sinto, leio, escrevo, desenho, canto, sei lá, essas coisas clichês que fazem parte da natureza humana de todo mundo.

Considerei retomar meus blogs antigos, até porque uma boa parte de minha vida e meus gostos está contida neles, mas pensei ser melhor começar do zero aqui. Não os deletarei nunca, claro, mas a vida mudou, sabe? Muita coisa mudou em seis anos, desde quando criei o primeiro, e continua mudando, sendo necessária uma mudança de estilo também. Quem me conhece sabe o quão comum a expressão “vida adulta” é em minhas frases e justificativas para o meu estado quando alguém conversa comigo, mas sinceramente eu não estava preparada para o monte de coisas que vinha junto à essa tal vida adulta. Ainda me sinto adolescente, com menos de 15 anos, e muita coisa é estranha mesmo nessa altura do campeonato: formada, trabalhando, encaminhada na vida.

O “Louca da Sombrinha” vem num momento em que percebo ser meu gosto por sombrinhas mais uma psicose do que só gosto; vem numa fase onde nem sempre é possível guardar pra mim minhas emoções e problemas, ou transformá-los em ficção como sempre fiz. É também uma forma de dizer a outras pessoas que estejam passando por isso, independente da idade, que não estão sozinhas de forma alguma. 

E não esperem normalidade ou  coerência o tempo todo. Não vai rolar.

Mil beijos,

Jiullia.